quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Aquele sobre lista de casamento...



Quem casou sabe a dor de cabeça que uma inocente lista pode trazer.
Estresse, choro, cara de pau dos outros que acha que convite de casamento é assim um ingresso pra uma balada e que pode transferir sem problemas, caso não possa ir. Enfim, muito analgésico, conversas e "a lista da lista da lista " fica pronta. E não é que ela ainda dá trabalho depois de pronta e finalizada?
Tenho duas amigas que vão casar em pouco tempo e assim que me perguntaram o que deu mais trabalho, não hesitei em responder: a lista de casamento. 
O conselho que eu dei a elas? Convide as pessoas que você gosta e que te dão prazer. Nada de chamar "fulaninho" ou " sicraninho" por consideração ou porque alguém disse que você deveria chamá-lo.A festa é sua e é isso que importa. 
Encontrei uma crônica de Antônio Prata ( adoooro!) que explica essas situações muito bem. Na visão dele é até engraçado todo esse " aperreio".
espero que gostem.
Beijos.



Convite de casamento

                         
Que que eu posso te dizer, Joana? Desculpa? Foi mal? Que você é uma amiga querida? Que eu te adoro? Mas de que adianta, agora que o casamento já passou e você não foi convidada?
Joana, você não sabe a confusão que é organizar um casamento. Se eu fizesse tudo de novo, além de uma “wedding planner”, teria contratado um diplomata, um egresso do Itamarati, formado em acordos e desacordos comerciais em Davos, Doha e Washington, só para administrar as complexas relações envolvidas na produção da festa. Nas mãos do meu private Barão do Rio Branco, jogaria a mais espinhosa das tarefas: a elaboração da lista. Ah, Joana, o coração é grande, mas a grana é curta, as famílias são numerosas e como vamos espremer todo mundo debaixo do mesmo toldo, com o preço do metro quadrado?!
Eu tinha cá pra mim que o casamento era uma celebração para a qual você chamava as pessoas mais queridas que havia trombado durante a vida. Antes de chegar nos prediletos, contudo, tem os obrigatórios. Família: tios, tias, primos, primas, maridos e esposas de todo mundo, do lado do noivo e da noiva. Só aí, Joana, já foram quase 60% dos bem-casados. Depois, vem o pessoal do trabalho. E o pessoal do trabalho antigo. Quando você vai ver, sobraram vinte convites pros amigos e uns trinta abacaxis no seu colo: quem é mais importante, o Pedro, que foi meu melhor amigo da primeira à oitava série, mas que hoje vejo muito pouco, ou o Marcos, que conheço há apenas seis meses, mas em cuja casa jantei na penúltima quinta? E como fazer pra chamar só três do futebol semanal? Se convidar um, tem que convidar os onze, que são vinte e dois, com as esposas, e vinte e nove, com os filhos. Joana, veja a que ponto cheguei: um mês antes da festa, ao saber que um grande amigo tinha se separado, sorri contente. “Vagou espaço pra mais um convidado!”
Se isso serve de consolo, te digo que seu nome sobreviveu, incólume, a três carnificinas. E foi só no último corte da lista -- quando um tio avô de Pelotas resolveu convidar-se, trazendo com ele a tia avó e uma primaiada sem fim – que você saiu. Pois, Joana, por mais querida que você seja, há de entender: é uma amiga avulsa. Nos conhecemos naquele acampamento Carroção, em 1987. Era melhor tirar você do que partir uma turma ao meio, do que separar maridos e esposas, pais e filhos, laterais de centroavantes, compreende? Não, talvez você não compreenda.
Ah, Joana, se eu casasse de novo, desistia de chamar a turma do futebol, nunca mais aparecia pra jogar e chamava você. Pronto. Mas agora é tarde. Espero que, como reparação, você aceite esta crônica e o convite antecipado para as bodas de prata, a realizarem-se em junho de 2035, em local ainda a definir. Pode levar seu marido, seus futuros filhos e netos, caso os tenha. Desculpa, Joana. Foi mal. Você é uma amiga querida e eu te adoro. Que mais posso te dizer?


Nenhum comentário: